Era uma vez uma jovem jardineira...
Ela sonhava com um mundo melhor, e colhia com cuidado as poucas flores que tinha em seu jardim, mas ela era louca, estava sempre em constante mudança, mudava mais que o clima e suas estações, ela sempre buscou encontrar sementes que fossem diferentes, e criava uma expectativa maior do que deveria sobre aquilo.
Saia vez ou outra em uma nova jornada buscando algo diferente a acrescentar em sua vida. Sempre conversava com o sol e com a lua sobre sua vida, e seus problemas, em seu ponto de vista.
Seu ponto de vista as vezes ficava deturpado com tantas variáveis em sua vida.. sua cabeça funcionava de uma maneira diferente, a tornando única no meio de tantas jardineiras no mundo.
Enquanto as pessoas pensavam em ganhar a vida, os jogos, ou seja lá o que fosse, essa jardineira só queria ser feliz com seu mundinho criativo e suas poucas flores. Mas então ela resolveu sair mais uma vez em sua jornada. Foi quando passava por uma velha loja, e avistou uma semente. Ela era diferente. Era branca, torta, com muitas falhas, parecia velha, e cheia de furos que alguma larva ou o tempo tivera feito. A Jardineira ao tocar naquela semente, viu seu interior sendo exposto. Levou consigo aquela semente, sentia uma mistura de sentimentos ao olhar aquela semente..
Seria destino?
Ela não sabia, mas se empolgava ao contar as demais flores de seu jardim particular, sua descoberta, e se orgulhava dela, sentia que aquela semente poderia lhe dar um mundo de opções e acalentar sua mente perturbada, iria aceitar a flor que saísse daquela semente com a maior das suas expectativas.
Então a jovem jardineira procurou um vaso maravilhoso para cultivar sua semente, passou a cuidar dela, alimenta-la do melhor solo, mostrava a ela sempre seus sorrisos mais doces, e sempre contava as demais flores o quão esperava daquilo tudo, ela estava curiosa para saber o que brotaria daquela semente. Todos os seus problemas pareciam terem sumido, estava com a mente estabilizada e não queria mais mudanças, felizmente ela estava com um 'porto' onde pudesse fincar seus pés. Aguardaria quanto tempo fosse preciso para sua semente florescer.
O tempo foi passando e alguns problemas decorrentes a isso foram surgindo, eram tempos difíceis onde faltava-se água, e as vezes bom adubo. A jovem jardineira as vezes se desesperava, e contava aos astros seus problemas, a jovem semente mostrava seu primeiro broto. Era um caule fino, mas duro, não haviam flores, nem folhas, era como se fosse um tubérculo que estava escondido nas camadas de terra, ainda sim a jovem jardineira aguardava ansiosa.
Ela acreditava que algumas coisas não precisavam ser expostas, então por mais que passasse por dificuldades jamais encheria os ouvidos da semente com aquilo tudo.
Contava aos seus astros seus problemas, e reclamava da demora em que sua semente estava a crescer.
A jardineira fazia de tudo, mas todos os seus esforços pareciam em vão.. Como falar isso a uma semente? ou melhor.. a um caule? Ela não sabia, nem tinha coragem para tal ato. Perguntava aos astros o que ela deveria fazer, e em troca tinha como resposta "tenha paciência".
Ela sempre os ouvia. Voltava a regar e cuidar de seu caule, e cada vez mais o tempo foi passando, ela já estava calejada de circular o mesmo lugar, de sempre cuidar , e nunca mudar. Alterou alguns vasos de lugar, tentou se adequar. Mas nada parecia estar "no lugar", faltava alguma coisa.
Ela mudou a terra daquela semente, descobriu que ela não era um tubérculo, sua raiz era pequena, e o caule.. nada mudava, não tinha cheiro, não tinha folhas, não parecia nada. era como um graveto no meio da terra. A diferença entre os tempos era a grossura de sua casca.
Passavam mais e mais meses, ela necessitava de uma novidade, quando foi olhar de perto, sua jovem semente, criara uma única folha, felicidade estonteante, e mais uma vez a jardineira sentia-se confiante com sua semente, afinal já se passara 1 ano e agora que a pequena semente mostra uma folha. Dali em diante vários problemas aconteceram, várias vezes os astros se viraram contra a jardineira. Várias vezes as rosas do jardim espetaram os dedos da jovem jardineira. Todos estranhavam o quão fincada naquele lugar estava aquela jardineira. Mais parecia uma árvore.
Teve um momento que a jovem jardineira, estava já a um tempo pensativa, e foi desabafar ao pequeno caule sobre suas reais aflições, como uma medida de gratidão, nos meses decorrentes, a semente se mostrou vivaz, ela mostrou outras folhas e alguns espinhos. Todos os espinhos que brotavam, a jovem jardineira, vinha com uma lixa e os tirava a ponta, para que não se ferisse ou para que a semente não "se ferisse"mesmo que aquilo parecesse um absurdo. Todos os esforços da jovem jardineira, só seus astros sabiam. E todas as vezes que eles se viravam para ela, a jardineira desabafava com sua semente.
Mesmo que nada ela dizia, ela ficava feliz de ter a semente para desabafar coisas que jamais teria coragem de falar aos astros. Temia estar sozinha naquele mundo todo. Sim ela sempre teve as demais flores do jardim. Mas elas tinham seu próprio ciclo, suas próprias primaveras, e a jovem jardineira preferia cuidar daquelas flores sem as preocupar com demais coisas, além de estarem belas e fortes em todas as primaveras.
Era mais fácil viver assim.
Não gostava da ideia de ter seus problemas expostos. Mas ao mesmo tempo expunha o problema dos astros para a semente, e da semente para os astros. Era como um triângulo amoroso.
Foi um ato de imaturidade da jardineira os tratar assim. Sim foi, e ela sabia disso.
A jardineira passou longos anos da vida dela se dedicando unicamente aquela semente, não tinha broto, nem nada. Apenas espinhos e folhas. Não era um cactus, nem muito menos uma "coroa de cristo", a jardineira ainda esperava ansiosa por suas flores, ou seu fruto. Jamais tinha visto uma planta como aquela. E ainda se achava especial por cultivar aquela espécie, sua saúde mental, e física já estavam para lá de danificadas, sempre eram problemas, e sempre restava a dúvida se foi ou não um bom negócio cultivar aquela semente. Com o passar do tempo, cada vez mais a semente tomava-lhe o tempo, de tal forma que as demais flores estavam começando a murchar sem a jardineira notas,
Haviam larvas por seu jardim, mas ela estava cega demais para ver.
Sua vida girava ao redor daquela semente. Os astros começaram a se afastar. E os ciclos e primaveras passaram despercebidas.
Até um dia a jardineira se lembrar de como sua vida era diferente de antes da semente, ela não sabia se tivera avançado ou retrocedido.. Ela falou mais de uma vez com a semente sobre viajar, sobre mudar os ares, sobre procurar mais coisas para seu jardim, mas a semente lhe deixava insegura, atenuava seus temores mais obscuros. E isso era o suficiente para ela recuar em seus planos e continuar cultivando e cultuando a semente.
Era como se tivesse se tornado uma mosca voando ao redor de uma luz intensa. Tinha medo de que se fosse fazer o que quisesse aquela plantinha ali morresse. E tudo o que ela tinha feito até então se esvaísse.
Começou então a pensar seriamente o que valia a pena, sua liberdade, sua mente criativa, e suas flores, ou uma semente que nada era além de um caule, com algumas folhas e muitos espinhos.
Pensou bem, se sua rotina atual valia mais do que sua rotina anterior.
Pensou... pensou.. olhou os calos na mão.. pensou mais um pouco.
Conversou com os astros, eles não responderam, foi então no impulso que ela disse "estou partindo".
Ela correu ao mundo, em 1 mês. E quando voltou ao seu jardim, a semente, estava maior, estava negra, e todas as flores do jardim estavam mortas.
Os astros não existiam.
Ela se sentiu traída.
Pegou a única flor que lhe restava no jardim. Era um cravo. e saiu~
Foi embora com a única flor que não lhe abandonou durante sua viagem. Realmente uma semente podre não gera flor.
A Jovem jardineira foi mais uma vez... começar do zero seu jardim, sem astros, sem semente duvidosas, apenas ela, o cravo e as poucas boas sementes que ela guardou em segredo.
---- Conclusão----
As vezes perseverar, e cultivar uma única coisa, pode ser ruim.
As vezes criamos expectativas em coisas que nunca dariam certo, não dê asa a coisas inanimadas, por mais que as vezes aquilo nos cative, e pareça uma versão exposta do que nós realmente somos. As pessoas se aproveitam do que falamos, sejam em momentos de fúrias ou desabafo para contaminar nosso solo, tirar nossas flores e tentarem nos deixar sem chão. As vezes deixamos de ser quem acreditamos ser, por algo que desde o inicio não valeria a pena. Não deixem nada o tirar de sua rota, nem mudar o que você realmente é. Não faça escolhas pensando em 3ºs e deixando de ser feliz. No fim das contas poderá acabar como a jovem jardineira. Sem nada.. (sem quase nada).
Se tiver um problema com alguém em específico por mais que não queira magoar a pessoa, fale diretamente com ela. Não conte com os 3ºs para aliviar seu coração. se precisa expor aquilo que te afoga, pare em frente a um espelho e conte a si mesmo.

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